Obras na usina de Angra 3, no RJ, estão no centro da investigação. Advogado é suspeito de repassar informações do TCU à construtora.

Veja a reportagem no link ao lado: https://goo.gl/vR4USj

A Polícia Federal encontrou indícios de que ministros do Tribunal de Contas da União e políticos da cúpula do PMDB agiram juntos para favorecer uma construtora investigada na Lava Jato.No centro das investigações estão obras da usina de Angra 3, no Rio, um contrato de mais de R$ 3 bilhões.

O jornal “O Estado de S.Paulo” revelou que a Polícia Federal apontou indícios de corrupção e favorecimento ao presidente e a um ministro do Tribunal de Contas da União, um esquema que teria beneficiado a construtora UTC.

O ministro citado é Aroldo Cedraz, pai de Tiago Cedraz, que é advogado e também investigado. A polícia suspeita que Thiago repassava informações privilegiadas do tribunal para a UTC.

O presidente do TCU é Raimundo Carreiro, que foi apontado na delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, como destinatário de R$ 1 milhão, que seriam repassados por Thiago Cedraz. Na delação, Pessoa disse que, após esse pagamento, não houve problema no contrato de Angra: “Tudo fluiu”.

A TV Globo teve acesso ao relatório policial sobre os ministros. O documento diz que “foram colhidos indícios suficientes de que a articulação buscada por Ricardo Pessoa através de Thiago Cedraz surtiu efeito, quando analisamos ainda a dinâmica do andamento processual na corte de contas e o comportamento dos ministros Aroldo Cedraz e Raimundo Carreiro”.

O relatório também destaca movimentações financeiras dos investigados, entre 2012 e 2014: Carreiro, R$ 568 mil sem comprovação de origem; Cedraz, R$ 2 milhões; e que desse total R$ 1,4 milhão são de créditos que os bancos não identificaram a origem; e que a evolução patrimonial do filho, Tiago Cedraz, teve um incremento surpreendente: passou de quase R$ 12 milhões em 2011 para quase R$ 21 milhões no ano seguinte.

A delegada disse que é preciso aprofundar as investigações para chegar a uma conclusão sobre as movimentações financeiras. O Tribunal de Contas da União abriu uma investigação interna sobre o caso em setembro de 2015.

Questionado pelo Jornal Nacional, o TCU não informou se os ministros foram ouvidos e quais medidas foram tomadas nessa sindicância, que ainda não foi concluída. A assessoria informou que a investigação é sigilosa. E que a corregedoria vai acompanhar o andamento da análise do Ministério Público Federal sobre o relatório da polícia. Cabe ao MP denunciar ou não os envolvidos.

O relatório também aponta indícios contra políticos do PMDB: os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, de corrupção e lavagem de dinheiro, e Edison Lobão, de corrupção.

O que dizem os citados

O ministro Raimundo Carreiro disse que quebrou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, que prestou todos os esclarecimentos, e que aguarda o resultado das investigações.

O ministro Aroldo Cedraz declarou que suas ações sempre se pautaram pela ética, lisura e respeito aos princípios republicanos, e que vai prestar esclarecimentos no processo, se for convocado.

O advogado Tiago Cedraz afirmou que o relatório não indiciou ninguém e, segundo ele, omitiu que as provas produzidas no inquérito derrubaram a delação de Ricardo Pessoa. Disse ainda que a investigação não identificou nenhuma irregularidade na evolução patrimonial dos investigados.

O senador Renan Calheiros afirmou que não teve qualquer relação com os responsáveis pela obra.

A defesa dos senadores Edison Lobão e Romero Jucá disse que os dois estão sendo criminalizados por fazerem parte da cúpula do PMDB.